Quinta-feira, 13 de Março de 2014

Eu e os mais velhos

Durante a minha vida conheci duas figuras fantásticas que sempre considerei como avós. Partiram cedo de mais e não pude desfrutar mais da companhia e afecto que tinham ainda para me dar e eu para retribuir. Tenho quase a certeza que esta motivação de trabalhar com os mais velhos derivou desta partilha e convivência com estes dois seres magníficos. Mas tive avós. Não me lembro da avó paterna, partiu ainda eu era muito pequena. Lembro-me do avó paterno. Mas pela ausente relação que o meu pai sempre estabeleceu com a família, nunca tive uma relação próxima. Os avós maternos estão vivos, muito envelhecidos não só pela idade mas pelas agruras da vida. O avó embora analfabeto foi durante muitos anos um comerciante muito conhecido na região onde reside. Um homem que sempre valorizou a terra e por isso o seu interesse por ter sempre mais terrenos férteis. A avó na lida da casa, mas com uma casa cheia de gente que o avó trazia. Lembro-me sempre de ver aquela casa com vários comensais à mesa. Era lá que passava sempre as férias e muitos fins-de-semana, na maioria das vezes a cargo de uma tia que ainda estava solteira. Lembro-me de ver a minha avó tender a massa de pão naqueles grandes tabuleiros que depois levava ao forno ou cozinhar na panela de ferro quando era a matança do porco. Na verdade, embora a minha avó nunca tivesse gostado da lida da casa, recordo-me de a ver comandar aquelas inúmeras mulheres que, por exemplo, a ajudavam a fazer os enchidos. A minha avó sempre se sentiu bem a mexer na terra e a fazer o seu cultivo, mesmo agora com alguma idade dizia que enquanto estava na horta não tinha dores. Embora, nunca tivesse havido grande espaço para mimos, isso eram mariquices, sempre admirei a minha avó que durante anos se submeteu aos caprichos do meu avó, mas sempre era a primeira a defendê-lo. Desde que comecei a ser independente financeiramente às vezes preparo um saco com alguns produtos de higiene, guloseimas ou outras coisas que sei que lhes fazem falta e a minha mãe entrega à minha avó. Neste momento, a minha avó deixou de ter ânimo para cuidar da casa, cozinhar e tratar de si. Houve uma tentativa de a trazer para Lisboa para que fosse a um médico fazer um chek-up, mas não quis deixar o meu avô, mesmo tendo sofrido muitas vezes de maus tratos não o abandona! Já há muito tempo que não vejo a minha avó, mas de vez em quando telefono-lhe e ela chora sempre pelo meu gesto, eu desligo o telefone com lágrimas nos olhos por ter ouvido a sua voz chorosa, por agradecer um gesto tão simples como um telefonema. A minha avó é mãe de cinco filhos, três rapazes e duas raparigas, dos quais os dois mais novos são gémeos! Tem doze netos, seis rapazes e seis raparigas e já conta com cinco bisnetos! Vive numa aldeia que vem no mapa! É uma mulher muito diferente de todas as outras e reconheço que tenho um maior respeito pelas suas opções, porque revejo-a num contexto de vida muito diferente às mulheres da sua época. O meu olhar profissional é um grande apoio nestas circunstâncias! A minha mãe vai visitar a minha avó e eu fiz um bolo, aliás dois bolos, porque a tia avó também é uma querida! O bolo de mel que aqui já mostrei e um bolo de maça receita daqui.

Sinto-me:: saudosista
publicado por mg_criacoes às 22:07
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Quinta-feira, 21 de Novembro de 2013

Mimos que valem muito

Há demonstrações de afecto sejam presenciais, através de telefone, email ou outro meio de comunicação que valem por mil presentes! Assim foi o dia de ontem, a receber miminhos de muita gente. Também há serviços que pela sua prontidão e eficácia devem ser elogiados e reconhecidos. A minha MFP tem estado guardada, entretanto decidi tirar-lhe as teias de aranha. Dei conta que não tenho o manual das instruções. Contactei a Tefal e no espaço de minutos tinha uma cópia do manual no meu email. Encontrei algumas receitas que quero experimentar. Agora que estou mais disponível vou dar-lhe mais uso, vamos ver se é deste que me rendo!

Sinto-me::
publicado por mg_criacoes às 16:21
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Quarta-feira, 13 de Novembro de 2013

O êxtase de hoje

Não me saiu o euromilhões, não ganhei uma viajem de sonho, nem coisa parecida, até porque o que me faz feliz não é o dinheiro, nem as grandezas, mas as atitudes das pessoas. Depois de uma resposta a um email que enviei com pouca confiança fiquei surpreendida com o conteúdo da mensagem. Com serenidade coloquei a situação superiormente, de onde recebi um elogio e confiança em seguir com a actividade. Depois partilhei o assunto com alguém que vai estar presente nessa actividade, que ficou tão satisfeita e empolgada que a tensão arterial até subiu! Ups...Depois de perceber que é tão fácil ser feliz, sair do marasmo, surpreender e ser surpreendido, só posso estar em êxtase! O meu êxtase é de amor, alegria, é muito emocional, tem a ver com pessoas, sentimentos e afectos! A vida tem me dado tantas provas de como não estou sozinha nesta caminhada, tenho bons anjos da guarda :) Gosto de me sentir assim, preenchida, cheia de tanto. Sei que um dia não me vou esquecer de olhar para trás e dizer que o bom superou tudo o resto que não foi como merecia que fosse! Para terminar o dia em beleza, fomos nos enfiar no Ikea, comprar coisas lindas e saímos de lá gulosos!  

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publicado por mg_criacoes às 20:35
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Quinta-feira, 8 de Agosto de 2013

Tabus, preconceitos e mentalidades

Um dia destes a propósito de uma pessoa discutia-se  o que a carência de afecto nos pode fazer. No caso da pessoa em questão leva-a a uma compulsão alimentar e sexual. Enquanto a pessoa não assumir que tem um problema, o mesmo nunca será resolvido ou procurará apoio. Enquanto isso, vai trazendo preocupações à família. No meio desta conversa eu disse, preparando-os para não se chocarem, que há instituições que neste momento pagam a pessoas para visitarem os residentes e fazê-los sentir uma experiência sexual. Aquele velho pensamento que "para os jovens ainda é cedo, para os mais velhos já é tarde, para os portadores de deficiência não têm direito" é uma autêntica castração à sexualidade e ao prazer. Compreendo que a sexualidade seja vivida em cada etapa de vida de forma diferente, de acordo com a idade, a experiência, a maturidade, mas que seja negado ou anulado não entendo e não aceito. Principalmente, quando os pais negam esse prazer a um/a filho/a porque é portador de deficiência, como se isso não bastasse para estar privado de inúmeros prazeres da vida. Que direito têm os pais de comandar a vida dos filhos, mesmo que sejam tutores e educadores dos seus filhos têm direito de os privar da vida, do que é natural e normal?! E nos lares das pessoas idosas em que não aceitam que haja relacionamentos amorosos? E quando são os filhos a impedirem essa situação? Ainda bem que as mentalidades estão a mudar, ainda bem que as pessoas que dirigem as instituições têm mais formação. Ainda bem que a sexualidade começa a ser tratada com o respeito que merece!

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publicado por mg_criacoes às 14:18
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Quarta-feira, 7 de Agosto de 2013

36 minutos depois...

36 minutos foi o suficiente para demonstrar o meu ser, os meus sentimentos, tentando sempre não retaliar, não ofender, não praticar injúrias. A intenção era transmitir a minha opção de vida, a forma como vivo, como quero viver, o modo que encontrei para ser feliz. O resultado pode não ser o esperado, porque nem sempre falamos na língua que as outras pessoas entendem, mas talvez tenha sido a primeira vez em tantos anos que fui autêntica, genuína, verdadeira, fui somente eu. No fim quase sufoquei, de choro, de raiva, de tensão, parecia que estava em trabalho de parto, com o sócio sempre a dizer para eu me acalmar, para controlar a respiração. Segundo a terapeuta "pari" um ser castrador, que finalmente está a sair dentro de mim, seja por momentos reais ou em sonhos. Atitude adulta, de uma mulher crescida, competente, mas muito emocional, tudo é emoção em mim, por isso tudo se torna mais difícil. O funcional e a afectividade não combinam comigo. Tenho de aprender a lidar com o lado funcional dos outros. É fácil ser funcional e pragmático quando não há laços de amor; o difícil é conciliar tudo com um sorriso de orelha a orelha, com tranquilidade e paz de espírito. Já não ando à procura do afecto, do amor, do que me fez falta. Procuro outras formas de me realizar, procuro outras formas de amor, sem cobranças nem castrações. Procuro ser feliz, com o caminho que eu escolhi, sou muito feliz, não há arrependimentos, nem volta a dar, porque esta sensação de liberdade, de prazer, de amar a vida e os outros já ninguém me tira!

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publicado por mg_criacoes às 20:39
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Marisa Rebiteza

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